Essa semana eu discuti um assunto entre amigos de diferentes núcleos sobre o tema: a magificação da maternidade. Houve um tempo em que ser mãe significava ter a responsabilidade de educar uma criança, cuidar do funcionamento da casa e ainda conciliar isso com uma carreira profissional. Levadas por esse nítido acúmulo de funções, as mães começaram a criar o conceito da Mulher Maravilha, a pessoa do sexo feminino que consegue tudo, que assume mais responsabilidades do que qualquer outra pessoa na sociedade e, teoricamente, dá conta do recado com maestria.
Até aí, problema nenhum, certo? Pelo contrário. A mulher precisou lutar muito para conquistar o direito de frequentar escolas, votar, assumir cargos profissionais que originalmente só eram ocupados por homens, praticar esportes olímpicos, desenvolver uma carreira política. E essa luta, penso eu, foi para torna-las IGUAIS.
Mas o assunto de que quero tratar, é a tal magificação da maternidade. Chamo assim, pois ser mãe é usualmente tratado como "um momento mágico". E, diante disso, muitas mulheres tratam o tema com um ato obrigatório a todas as mulheres. Toda mulher DEVE ser mãe. Mas toda mulher quer ser mãe? Não. E a mulher que escolhe não viver a maternidade, é menos mulher? Há tempos ando lendo textos que dizem "porque você deve ser mãe","porque você deve ter o segundo filho" e resolvi escrever que não há nada de errado em não querer ser mãe.
Entendo que, para algumas pessoas, ser mãe é uma conquista, uma coisa por anos desejada, sonhada e planejada. Para mulheres cuja maternidade foi difícil de alcançar por problemas fisiológicos, entendo o quanto a maternidade pode ser vista como algo que preencheu um grande vazio. O que me incomoda é como algumas mães se sentem no direito de julgar negativamente aquelas que não são, como se gerar uma criança fosse uma obrigatoriedade, um feito que toda mulher precisa buscar na vida, ou é menos mulher que as outras.
Como disse um dos meus amigos (aí, Augusto!), ao parir, é liberada uma enzima na mulher, que faz com que ela se sinta automaticamente, um ser superior. Elas passam a se considerar pessoas extraordinárias, aptas a dar conselhos infinitos às outras mulheres, sobre como elas podem ser pessoas melhores se tiverem filhos também, pois até então, são seres humanos incompletos, que não sabem o que é "amar de verdade".
Eu sei que vou arranjar um monte de inimigas aqui. Mas, senhoras, ser mãe é fácil. Na realidade, muitas vezes é tão fácil, que até acontece por acidente. Difícil é criar uma pessoa decente sendo o exemplo dela. É ter uma criança que te obedece e respeita as pessoas. É ensinar que as regras devem ser seguidas, que estudar é importante, que ajudar ao próximo é gratificante e que ser especial, não é se sentir superior ao outro, e sim, viver com dignidade e sabedoria.
Finalmente, penso que melhor do que incutir às outras mulheres a obrigação de ser mãe, é incutir às crianças postas no mundo, o quanto é importante ser justo e respeitar a vontade do outro. E quem escreve isso, é uma mulher cujo sonho é ser mãe. Mas não espero que isso, de forma alguma, me torne uma pessoa extraordinária, e sim, que me torne uma pessoa feliz por ter alcançado algo que eu DESEJAVA. Não algo que desejavam pra mim.
Portanto, mulheres que escolheram formar suas famílias apenas com seu parceiro(a), com um casal de passarinhos, com um gato e um cachorro... vocês são famílias completas sim! Capazes de amar e ser felizes com suas escolhas de vida. Estou com vocês. <3
